Isso foi há dez anos. Hoje, às vésperas dos 30, idade em que supostamente as coisas deveriam estar estabilizadas, resolvi mudar tudo. Trocar o terceiro setor pelo segundo, o sem fins lucrativos pelo lucro. Fazer o caminho inverso.
O marido e os amigos suportaram horas de falação - o que é mesmo que eu vou fazer da minha vida? Idéias não faltam, mas idéia não enche barriga. Horas de tortura mental, eu me perguntando por que diabos não segui o conselho de meu pai e fiz um concurso.
Até que o Grilo Falante que carrego comigo perguntou:
- Qual foi a última vez que a Vida te deixou na mão?
Tive que admitir: nunca. Sempre que larguei do trapézio, a Vida estava lá para me pegar em pleno ar. Por que seria diferente agora?
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